domingo, 15 de janeiro de 2012

Os seresteiros

        E eles saem em busca do prazer pra obter os desejos de seu ego e manifestar o lado oculto de suas almas. Em busca de corpos quais quer para alimentar suas vontades,numa sexta-feira qualquer,se lançam na estrada a procura da euforia desejada. Prazer,mulheres diferentes a cada noite que passa,danças e taças.Sem a mínima nostalgia de nenhuma noite passada,nenhuma mulher que marca,nada. Concretizam seus desejos,afloram sentimentos e saem espalhando mágoas em corações de frágeis,que não resistem aos encantos galanteadores dos seresteiros das noites,que, conseguem fazer exatamente como planejam. É como um jogo,armadilha e sempre acabam caindo como vítima todas as vezes.
     Essa é a busca da felicidade momentânea segundo eles, só em busca de alguém que os faça sentir amado por todas ou por qualquer uma que quiser,obter o prazer desejado. Sentir-se assim,seria a melhor forma de fugir dos problemas,de descartar aquela inocente garota apaixonada que lhe torra a paciência dizendo que quer vê-lo,quer amá-lo e quer o homem de antes de volta. Mas não sabendo que aquele homem sabe fingir como ninguém,enganá-la a ponto de conseguir o que quer e depois mudar o comportamento para pior,assim fazendo seu coração palpitar,seu suspiro triste a esperar que volte a ser o que era antes,mas a pobre que não imaginara o quão grande é o problema de querer ter de volta o que na verdade nunca existiu.
   É injusto,é doloroso,é desesperador. Mas assim é que a banda toca e tem que se viver, tem que se chorar, tem que se sofrer. Ainda haverão dias em que passarão,mas voltarão, são dores passageiras,mas algumas permanecem por noites ou semanas,talvez a vida inteira. E assim vamos vivendo,fingindo não doer,tapando o sol com a peneira.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Eternizar

           Era o único bem ou mal,fazendo ou não suas trapalhadas ou me magoando as vezes.Era único e só. Me fazia bem,me entendia e estava aqui. E hoje tão longe,já não sobraram nem mais palavras ou lembranças de sua parte,só habita ainda em mim.
          Senti raiva,senti ódio,rancor. Mas passava com tanta rapidez,não conseguia te ver mal,mesmo sendo culpado com a cara mais lavada tentando se desculpar do seu erro,eu me sentia culpada em dobro se não o desculpasse,aquele rosto de inocente que só você sabia fazer para me convencer em dar-lhe outro chance,outro beijo. Eu acaba sorrindo mesmo querendo chorar e te bater no rosto com toda força do mundo,eu sorria e balançava a cabeça do lado pro outro desacreditando de mim,de como era fácil conseguir arrancar seu amor do meu peito de dentro pra fora,sugar todas suas segundas chances que se tornaram terceiras,quartas,quintas,sextas,sétimas e infinitas.
        Pois é. Não tem mais jeito,tentei fazer meu jogo,tentei brincar como brincas comigo. Mas quando começava a cair,ou fingir que caía, eu acabava entregando-lhe de bandeja,de mão beijada. Porque eu sei,não há graça se você não estiver sorrindo,procurando meu perdão,me fazendo sentir o que só você conseguiu fazer com que eu sinta e você sabe,é só com você.
      E agora que se foi,já fazem quase dois anos,ainda posso escrever com as mais sinceras palavras. Eu disse que tentaria,eu tentei e ainda tento. Substituir seus carinhos,o jeitinho que me fazia te sentir. O toque,o cheiro,o abraço,o simples encostar do teu nariz no meu,suas piadas sem graça,seu olhar malicioso o mais bobo,mas eu sorria e achava graça, me deixava tímida e você ria de mim. Como era boba,como era besta,ingênua,não soube aproveitar o quanto deveria. Doeu te ver partir,mas eu confesso que sofreria mais um pouco e de novo,só pra poder vivenciar e tentar eternizar cada detalhe que deixar passar despercebido,estes são poucos,mas os que restaram são suficientes para tê-lo perto mesmo longe,dentro de mim,em minha mente.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Seu último Carnaval

Tô te aguardando,te esperando. Curta bem,faça o que sentir vontade,pois bem.
Se é assim o modo que tenho que esperar,te olhar de longe pulando e cantando o carnaval com uma caneca gigante de cerveja na mão e uma vadia loira do lado,segurança tua flácida poupança larga. Se é o que deseja,continua. Mas aproveita que minha paciência não é estreita,que meu amor congela a raiva e o tempo,o longo prazo de espera,de raiva e de fúria. Aproveita que eu sei superar sua demora e pouco caso da minha insônia, da minha crise insana de posse silenciosa.
    Pule,cante e beba,faça como bem entender,é teu último ano,teu último carnaval. Tua última gargalhada da minha cara na janela quando chega alterado na madrugada,olhando pra cima,todo sujo e tonto,me vendo a te olhar com minha cara decepcionada,te olhando todo rasgado e marcado de batom.
  Pois bem,eu não chorei,só ri no maior tom e mais alto,eu ria de sua hipocrisia,sua falta de consciência, eu ria e via o quanto tempo perdia na rua,traindo meu coração enquanto eu estava sentada no portão cobiçando os casais que passavam de mãos dadas. Vá, vá embora já. Não sinto raiva,lhe conheci em um carnaval e infelizmente me apaixonei por um longo beijo misterioso de um louco carnavalesco pegador,que beija e vai embora atrás de outra aventureira prestes a abrir seu coração,assim como eu,a última besta que sobrou e ainda lhe espera voltar de outros carnavais.

O último Ponto de ônibus / part 1

  •         Era seu primeiro mês de trabalho,ainda sentindo insegurança e medo. Medo de perder a hora de seu ônibus,insegurança quando estranhos lhe olhavam,seus olhos sempre arregalados e atentos,suas pernas trêmulas de frio e só se ouvia seu alto fono de ouvido e o zumbido do vento gelado que batia em seus cabelos negros,escorridos aos ombros.
            Com o passar dos dias,a rotina foi tomando conta de sua vida,os mesmos passos,as mesmas músicas,o mesmo ponto,motorista e ela não sentia vontade alguma de observar o rosto das pessoas,pois elas nunca a olhavam como realmente queria ser olhava. Até que aconteceu o inesperado,ao olhar para trás desatentamente,pois seu ônibus parecia estar minutos atrasado,avista os pés de um rapaz e vagarosamente sobe teus olhos sobre aquele longo corpo e atravessa seus olhos aos dele,que atentamente olhava tão fundo que parecia enxergar a alma,lá dentro a observava,bem no fundo.
            Tímida,se vira em direção reta a fila e para. Ele também,só que traça o olhar para os lados como se nada tivesse acontecido. Ela então refletindo sentada ao banco quando chega em seu lugar :
    - Seus olhos tão misteriosos,seus lábios pequenos e rosados,nariz afilado,aquela barba mal feita,cavanhaque o que mais me atrai.Seu corpo longo e magro,movimentos leves que faz com os olhos de um lado pro outro,não para de observar a todos,coisa que eu nunca faria e depois de hoje o que eu não percebia,é que,lá atrás havia algo que se antes descoberto jamais perceberia o quanto me interessaria.Chega mente! Foi só uma troca de olhares comuns do dia-a-dia,não é nada de mais.
              E a imagem do rapaz tomava-lhe o sono por contínuas noites,antes de fechar teus olhos sempre aparecia aquele olhar tão perto que parecia estar repousado em cima dos teus.
            A cena se repetiu por vários dias e semanas,ele no fim da fila sempre atrasado e em pé,ela sempre adiantada,nervosa e preocupada em se atrasar,sempre sentada por tão cedo chegar. Apesar dos congestionamentos e passageiros transitando de lá pra cá,sempre arrumavam jeitos e pilastras a se esconderem para um ao outro de longe olhar,bem discreto,bem calado.
        O desejo oculto foi tomando conta do pensamento da iludida moça,sempre idealizando situações onde falaria e se aproximaria naquela fila do rapaz. A vergonha era tremenda,as vezes os olhos se esbarravam em tamanho espaço,se atropelavam olhando no mesmo momento,então abaixavam seus pescoços que na nuca batia o sopro gelado do vento e os dias apenas indo embora sem nenhuma ação diferente.
       Até que em uma noite cansada ela chega em casa, atormentada de cansado,fadiga,nostalgia,saudade do que ainda não pôde ter recebido,adormece com os mesmos pensamentos,acorda em meio à madrugada sem sono e apenas pensando nos olhos do rapaz,pensando em um dia ter aqueles braços laçados aos teus,aqueles em cima dos teus,teu nariz suspirando seu cheiro,um ao outro apenas o som do vento,das batidas do coração,dos suspiros de emoção. Assim ela dormiu,dormiu e sonhou com tal situação, imprevisível ou talvez impossível.
         O despertador tocava disparado pela terceira vez,e pela primeira vez ela estava atrasada. Se arrumou rapidamente e chegou ao ponto. Lá estava o rapaz que também se atrasava,à um passo de sua frente, suas pernas então tremiam como um vulcão em erupção,suas mãos estavam suadas,o frio na barriga a incomodava. Ele aparentava ter medo de olhar,mas constantemente de lado olhava,demonstrando estar preocupado com seu ônibus,mas na verdade queria mesmo era tentar tocá-la,não com as mãos,mas sim com os olhos,era a única forma dos dois se apreciarem.
         Então chega o tão esperado veículo e o menos esperado, quando sobiam,lá estavam apenas três lugares vagos,um banco só e dois juntos e vazios. Ela se assenta onde haviam dois, ele estica seu corpo em direção ao banco sozinho,mas pensou em questão de um segundo cortado a três pedaços,rapidamente se direciona ao lado da moça,ela percebia suas expressão tímida.
        Chovia,chovia e ventava. Todos fecham as janelas e tapam os ouvidos com seus chapéus,pois o barulho dos trovões assustavam. Cada um se vira para o canto,ele abraça a mochila e fecha os olhos. Ela inclina a cabeça ao chão,cruzando os dedos das mãos e observando o balançar dos pés nervosos do rapaz.
        Com o caminhar da estrada,com as curvas constantes,o esticar dos corpos,foram se achegando para perto e se aquecendo,era em tamanho aconchego,ela sente. Sem perceber seus corpos colados,seus ombros unidos e suas pernas quase enroscadas. E a dúvida batia.Será que sentes os mesmos calafrios e arrepios que passam em meu corpo ? Será que me olha profundamente como olho pra você ?
         Ela olhando da janela,avista o ponto em que ele desse se aproxima. Se ajeita delicadamente para perto de seus ombros largos,tentar esquentar mais um pouquinho,coisa que é rara acontecer o quanto ela esperava por tão pequeno gesto e acontecimento,tenta aproveitá-lo por últimos segundos antes que bata o sinal e dessa definitivamente de seu lado e só após 24 horas torne a senti-lo, ou como mais provável a olhar de longe e deseja-lo silenciosamente. E se achega,vagarosamente,de fininho a ultima aquecida em sua jaqueta quente,se esfrega lentamente ao seu lado,ele se espreguiçando e a olhando timidamente de lado. Levante-se e parece não querer partir. Dá o sinal, de pé com a bolsa pesada nas costas,olha pra trás meigamente e da um longo sorriso, que junto ao dela que o observa a descer o primeiro degrau. Ele saindo e mais uma vez olhando discreto,ela com os olhos brilhando decide interpretar o que os lábios calados,os olhos delicados dele diziam aos teus :
     - No fim,no meio da fila,no banco da frente ou de trás,adiantado ou atrasado,escondido e tímido ou espantado e amedrontado. Teus olhos se escondendo de mim,ou querendo me encontrar. Moça dos olhos de mel,amanhã voltarei no mesmo local,no mesmo horário atrasado e correndo.Às vezes a olharei de mais,outras a olharei de menos,só quando perceberes, se é que percebes meus constantes desejos calado.Não consegui ainda me aproximar por palavras,não pude vê-la e senti-la completamente,nem se quer a parte direita de seu corpo pude bem avistar,de tão tímida que és. Mas meus olhos fazem mais por mim,os teus também,a arte de se unirem e visitarem o coração e o interior da alma do outro é de incrível capacitação. Assim te tenho tão perto,mesmo de longe,assim a tenho dentro de mim e me tens dentro de ti.

    TO BE CONTINUED

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Infinita Solidão

  De uns tempos pra cá, sinto-me envelhecer mais rápido que o normal.
    Pelas experiências,pela vivência,por esta cansada aparência,que,por noites e noites longas acordado a ascender e apagar infinitos cigarros.
   Vejo cinzas por toda a casa,até meu cachorro notou a minha nostalgia. Eu aqui sentado em minha velha poltrona com o controle remoto invertendo locais,as vezes nas mãos,as vezes ao chão despilhado e caído.
   Minha xícara de café que era sempre quente e bebia atentamente,observando o jornal. Hoje ela se encontra caída no canto do tapete,gelada e cheia de formigas a passear. E eu ? Não ligo,nem se quer me levantei para atender ao telefone que uma vez ao mês,raramente acontecia de tocar. Poderia ser um cobrador,ou um vendedor. Não importa,se não for quem quero que seja a me procurar, não atenderei tão cedo,não me levantarei do lugar.
    No espelho eu vejo o que jamais imaginei,minha velhice se aproxima,me abandonei demais.
   Cabelos grisalhos,pelos espetados,olhos vermelhos e inchados. Meu descuido foi maior,meus cigarros faltam, a garrafa de conhaque vazia. Pensamentos distantes,choros de angustia são constantes.
     É o que sobrou de mim,após sua partida. Abandonou-me. E logo após eu me abandonei,esqueci de me cuidar,esqueci de me amar,esqueci de viver. Talvez eu nunca soube mesmo como era.. Como era viver sem você.

Imaginária


           Entra e senta,Fica pra sempre ? Tenta. Se não der, já sei como é.
     Não vai doer, se correr ou não quiser ficar.
        Tente entrar,tente evitar que meu coração volta a se quebrar.
     Tuas mãos de fada,pequenas venho a me lembrar.
     Todo seu encanto,teu charme e tua cena pra me impressionar.
   
     Pequena,minha,era tudo que eu tinha.
     Ela tinha meu bem,apesar dos desencontros e desse vai-vem.
     Eu a tinha e ela tinha a mim.
     A pegava,jogava ao ar,beijava até não fôlego sobrar.
     Pintava seus olhos da cor que queria,sempre era perfeito,tudo do meu jeito era só imaginar.
   
     E hoje eu tento,é o que faço a todo tempo,Apenas esquecê-la,tentarei.
    Mas como esquecer aquela que só me fez bem ? Aquela que quando me atirei ao chão,criei.
    Criei a princesa perfeita,a que me desse carinho e atenção,tentei imitar meu antigo amor
     Mas não houve perfeição em minha nova criação.
     Percebi,até em minha imaginação,acabei ao chão.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Rapaz

    Venha rapaz, encoste sua cabeça em meu colo porque sinto como ela é pesada pra tão pouca malícia de sua mente. És tão meigo,tão quieto e calado que mal posso descrever o que tens em mente.
   Duas jabuticabas enormes e luminosas,são teus olhos. E este sorriso ? Parecem constelações estrelares que me perco tentando contar cada pontinho do seu brilho,que é tanto.
   Pena que tanto encanto,tanta ternura e esses sorrisos disfarçados não são meus,pena que não tenho tanto suporte a  lhe oferecer.
    Sei quem queres amar,sei por quem queres ser amado e também sei o quanto teu coração está quebrado. Mas deixe menino,deixe tudo. Deixe-me tomar conta de seu tempo jogado fora, tempo que perde a olhar pro relógio e contar os segundos,relembrando datas passadas, datas com ela.
    Deixe também teus olhos em meu teto,quando reflete tua cabeça ao auto,quando deitado em meus braços ouve atentamente meus conselhos,que,na verdade só querem dizer : Esqueça,deixe,venha completo que teu lugar é ao meu colo. Não para ouvi-lo reclamar,lhe aconselhar e lhe acoitar. Mas sim parada dizê-lo as mais lindas palavras de amor,as que te façam feliz,as que façam teus olhos brilharem só para mim.