domingo, 20 de maio de 2012

Fetiche


     Eu queria compartilhar esta paz a vida toda,esta forma de viver,nessa calma que eu costumo ter por alguém que não procurei conhecer. E o que dizer desta viajem ? Na frente do espelho e o querer despertado por uma vida,a vontade de  compartilha-la com quem queira usar-te,cuidar-te,manter-se imune,protegido,no mesmo lar,na mesma sala de estar,cheirar o mesmo perfume.
      E o que dizer das vontades ocultas,das cortinas de blackout tornando as tardes ensolaradas,escuras. Planejar tudo que quis fazer estar,gerar o frio artificial,ligar o ar,deitar a dois,ouvir o barulho da chuva imaginária enquanto lá fora o sol raia.
 Assim vou imaginando,esperando,criando,colocando e tirando,transformando. Enquanto não chegas,meu caro,esperarei até que tudo se concretize,tingirei as paredes do meu gosto,mantendo meus hábitos,alimentando meus fetiches.

E a gente vai..


   E a gente vai levando,empurrando com a barriga,tapando o sol com a peneira,respondendo "tudo bem" quando nos perguntam como estamos.
    E a gente vai indo embora sem dizer tchau, trocando a água pelo vinho,o álcool pela gasolina,o indo pelo vindo,a ida pela vinda.
   E a gente vai, e a gente vem, apenas se ajeitando numa posição que nos conforte,que nos faça bem por mais que nada esteja nos conformes,o costume vira hábito,tudo entra nos estoques
  E a gente vai vivendo,cometendo erros,esquecendo acertos,jogando o lixo no bueiro,parece propósito,só pra ver a água inundar o bairro inteiro.
  E a gente vai contando os dias,desesperadamente aguardando o final de semana.       Mas quando chega não vai além de uma xícara de café forte,um corpo gelado em cima de uma cama.

Normal demais


A mentira vira rotina e eu acabo me acostumando,
No primeiro encontro,já dizem eu te amo,
As palavras se tornam fúteis,
Os abraços nos momentos de tristeza são sempre inúteis.

Quando nada faz sentido,o pesadelo não é mais castigo,
Não vale a pena crer em nada,repito sempre comigo,
E quando ligar-te em busca de socorro,
Caso negue-me,não se preocupe comigo,este tolo,
É que a mesma cena,nunca fez um capítulo novo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Chuva,mãe.

     E quando chove, sair para trabalhar se torna um tormento,o trânsito lento,do frio só ouço lamento.Mas parei para pensar em quanto os vejo a reclamar - Maldita chuva,atrapalhou meu final de semana,minha praia,minha balada. Da janela perfeitamente da pra se vê a felicidade das plantas, o balanço,o auê. Enquanto emburrados estamos olhando dos vidros do ônibus,lá fora elas cantarolam,refrescando suas raízes,a raridade caindo das nuvens que choram.
   Chuva: você reclama, as plantas comemoram.

Irreversível

      Sabe, uma segunda comum,um dia qualquer onde todos pareciam iguais,sempre a mesma e velha rotina. Caminhando sempre distraída pelos corredores,tropeços e trapalhadas,ao carregar minhas pesadas pastas que quase sempre as deixava cair,graças a esse  jeito desatento,desordenado de seguir.
      Numa rotina cansativa e exaustiva,num destino e caminho irreversível,como se não houvesse rumo,direção ou uma nova missão. E que eu viva assim enquanto der,enquanto puder,a falta sempre nos bate no meio da sexta a noite,a vontade de mudar de lado,de ser procurado,encontrado. Que isso possa mudar,que estrelas cadentes chovam sob meu teto,pois irei sentar-me e fazer um pedido a cada uma que cair.
     Frio,café,o jornal que falta pouco sangrar quando é dobrado,morte,sangue,choro,é o que vejo. Nas capas de revistas,rostos felizes e maquiados,pelas propagandas e vitrines todos seguem manipulados,até os sentimentos são fisgados,são influenciados.Eles dizem para não amarmos,mas mostram casais felizes nas telas de cinema,finais bonitos,o que parece impossível ser comprado e na verdade jamais será.
     Por mais que tudo mude,meu pensamento não troco por outro qualquer,não moverei uma palha se quer para adequar-me ao padrão feliz de vida como todos planejam.E que eu viva assim pelos fins do dia,das tardes,da vida. Quando entro em meu apartamento só me deparo com a cortina em movimento,balançada pelo vento,meu cão faminto em minha direção vem correndo,o silêncio das paredes,a doce rima de meus velhos literários,meu chá quente sob a poltrona de couro,sento-me ao teu braço. E que seja assim por muito tempo,ou o que durar e restar de mim,não há o que mudar,não há onde voltar, é aqui que sempre estive,é assim que sempre vivi. 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Pelos bares da cidade


      E aí você abre os olhos e já é manhã e domingo. Com dor de cabeça,cheio de hematomas e marcas irreconhecíveis pela nuca,braços e costas. Sem saber como chegou em casa daquela insana noite nos bares da cidade,sem rumo,sem nada no coração,apenas tentando se jogar no primeiro boteco de esquina que lhe proporcionasse um bom vinho,aconchego e belas trocas de olhares de mesas vizinhas. Só pra se sentir melhor,só pra alegrar teu ego.
    Joga-te ali no cantinho,senta-te e espera que um belo moço lhe acompanhará numa prosa com as segundas intenções de levá-la a qualquer lugar, a lugar nenhum, Desde que faça-me viajar um pouco,distrair-me destas más sextas atordoadas.
   Ascendendo um cigarro atrás de outro,golos e golos de vinho,o melhor. O que minha cabeça doa menos quando amanhecer. E quando acordar caída sobre os lençóis amassados de uma cama,de um hotel qualquer,só desejo encontrá-lo ali do lado deitado,ou levantando bem cedo trazendo-me um forte café. Pois essas noites passadas onde encontrei-me por muitas vezes atirada num canto qualquer,nem se quer ouvia passos ou barulhos de algum ser ao meu lado,se importando com meu péssimo estado. Então,meu caro senhor que irei conhecê-lo nestes bares da vida,ao menos pague minha conta,leve-me ao teu lar e ama-me,ama-me até o sol se por de novo.  Ah garçom,enquanto espero meu bom,Traga-me logo outra bebida.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O verdadeiro permanecerá

     Sabe,após ter ouvido suas histórias e um pedaço de seu sofrimento. Após ter me colocado diante de tua dor, de ter sentido em minhas mãos um pedaço de seu coração eu me senti responsável e parecia tudo estar em minha obrigação,em meu comando de agora em diante. Juro que não consegui caminhar sem a necessidade de tuas pegadas atrás, senti falta confesso.
   Eu quis carregar teu mundo em minhas costas,o meu cheio de problemas e como haviam, Mas querido,não me importava naquela época,pois a partir do momento em que decidi viver tua vida ao invés da minha eu abri mão de tudo e de todo meu passado para curar seus medos e fazer recomeçar ao meu lado a melhor fase de sua vida.
    Tentei mudar a posição dos mapas pra fazer nossos países se chocarem,entrarem em conflito. As vezes haviam invasões de território e outras vezes desastres e tragédias. E eu sempre com meu corretivo,minhas vendas e  corria para apagar o erro e o medo de sua vista,não queria que visse nada além da perfeição, se eu prometi foi para dar meu mundo e cumprir,só pra te ver sorrir. E era assim,navegava altos mares para trazer-lhe a mais bela concha e tirar aquele seu sorriso mais perfeito que aumentava ainda mais minha vontade de arrancar outros infinitos  brilhos de seus olhos. Era único,especial,não havia algo igual. Era simples,singelo, não me pedia nada em troca e não queria na verdade. Queria fazê-lo feliz e essa era minha missão,se eu falhasse não sei o que seria de mim,mas não foi o suficiente.
    Marés e enchentes caíram sobre nós,forças contrária me puxavam ao seu inverso afastando-me cada vez mais de ti e lá no fundo eu ouvia sua voz me chamando de volta,pedindo para não desistir de ti. Você precisava ir,talvez seria por uma longa caminhada,dizia que precisava partir e que  tudo estava calculado em seu tempo. Ele suplicava, implorava para  não desistir, pois um dia ele voltaria e tudo que fosse verdadeiro continuaria e em seu lugar ainda mais intenso permaneceria.