segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tentando concluir um enigma

       Sabemos que a probabilidade de dar errado e de sofrermos é bem maior que a de dar certo. Mas a razão não fala mais alto que os sentimentos e as vontades.
      Ah,se pudéssemos controlar cada batida e cada arrepiar de nossos corpos,seriam menos casos de arrependimentos ,menos corações feridos,menos choros e sofrimentos. Alguns sabem fugir,mas sempre voltam,porque a maldita saudade os atormenta,alguns se entregam e acabam sofrendo ainda mais do que os que recuaram,outros escondem de todos,mas quando o amor passa por perto e lhe dá aquela olhada que estremece-o dos pés a cabeça,não consegue enganar,ali está a pista: A cara de bobo que não consegue controlar.
       Escrever métodos de como evitar se apaixonar,assim como faço,também pode ser um modo de se esconder atrás das palavras. Um outro coração frágil que tenta suprir suas necessidades através de um esconderijo. Escondo-me até mais do que deveria,sinto que sou cruel comigo,mas é melhor assim,implorando de joelhos para a razão falar mais alto que o coração,evitar é mais fácil que arriscar,se aprender a lidar com esse sofrido é um demorado processo. Torna-se mais difícil penetrar nos pontos desejados,assim a seleção natural do verdadeiro,do corajoso,do que virá para ficar, será cada vez mais rigorosa,janelas e portas de titânio,brechas difíceis de ultrapassar,cortar caminhos serão meios ainda mais demorados de chegar no local desejado.
Nunca disseram que fosse fácil,nunca provaram que seria rápido. Mas os infalíveis sobreviverão:paciência e delicadeza,que cairão sempre de prato cheio sobre a mesa.

domingo, 27 de maio de 2012

Ninguém precisa saber


     Não ter nada pra escrever,mas com vontade de se expressar e soltar tudo que guarda dentro de si por tanto tempo. Mas que saudade eu tenho daqueles momentos onde havia o que dizer,havia o que sentir,o porque sorrir,o motivo escrever,a razão do viver.
    Todas as palavras um dia escritas,jamais terão a mesma intensidade das de hoje em dia,pois tudo que foi um dia,não voltará a ser hoje,nem amanhã,talvez nunca se repita. Foi bom viver o que vivi,foi bem feito pra mim,mas eu aprendi o que devia e o que não devia. Não importa quais foram os sentimentos aqui deixados,os apagados e os escondidos que passam hoje a surgir,ninguém precisa saber.
   É que eu tenho essa mania de esperar a segunda-feira chegar, tentar ocupar o tempo pra tentar apagar e esconder de mim mesma aquilo que quer nascer dentro de mim,mas eu sei que não devo deixar,pois fará um grande estrago aqui dentro,tirará todo meu sono,ocupará minha mente e todo meu tempo,me fará sair de mim,perder o foco,a linha que procurei seguir. E eu vejo,só eu vejo,o limite quando chega,faz um mal danado,mas eu repito," ninguém precisa saber".
 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A lei da troca

   As pessoas, assim como o planeta estão degradando. Um dia são melhores amores,melhores amigas,melhores parceiras. De acordo com o tempo,o conhecimento e a convivência com outros seres,passa surgir novos interesses e pouco a pouco acabam falando mais alto,o esquecimento do antigo companheiro, por outro melhor surge de uma hora ou outra. E tudo o que um dia foi importante de verdade,não passa de uma mera lembrança,alguém que já foi tudo,passa a ser nada,quando se é adquire alguém "melhor" ou mais interessante . Aí sim,se descarta o que já lhe foi válido,prazeroso,o que já lhe fez tanto bem,é excluído de sua vida, sem dó nem piedade, do dia para a noite tudo pode mudar,é a lei de aprendizagem humana,portanto: Acostume-se,ou sofrerá consequências,choques e surpreendimentos com os supostos companheiros.

domingo, 20 de maio de 2012

Fetiche


     Eu queria compartilhar esta paz a vida toda,esta forma de viver,nessa calma que eu costumo ter por alguém que não procurei conhecer. E o que dizer desta viajem ? Na frente do espelho e o querer despertado por uma vida,a vontade de  compartilha-la com quem queira usar-te,cuidar-te,manter-se imune,protegido,no mesmo lar,na mesma sala de estar,cheirar o mesmo perfume.
      E o que dizer das vontades ocultas,das cortinas de blackout tornando as tardes ensolaradas,escuras. Planejar tudo que quis fazer estar,gerar o frio artificial,ligar o ar,deitar a dois,ouvir o barulho da chuva imaginária enquanto lá fora o sol raia.
 Assim vou imaginando,esperando,criando,colocando e tirando,transformando. Enquanto não chegas,meu caro,esperarei até que tudo se concretize,tingirei as paredes do meu gosto,mantendo meus hábitos,alimentando meus fetiches.

E a gente vai..


   E a gente vai levando,empurrando com a barriga,tapando o sol com a peneira,respondendo "tudo bem" quando nos perguntam como estamos.
    E a gente vai indo embora sem dizer tchau, trocando a água pelo vinho,o álcool pela gasolina,o indo pelo vindo,a ida pela vinda.
   E a gente vai, e a gente vem, apenas se ajeitando numa posição que nos conforte,que nos faça bem por mais que nada esteja nos conformes,o costume vira hábito,tudo entra nos estoques
  E a gente vai vivendo,cometendo erros,esquecendo acertos,jogando o lixo no bueiro,parece propósito,só pra ver a água inundar o bairro inteiro.
  E a gente vai contando os dias,desesperadamente aguardando o final de semana.       Mas quando chega não vai além de uma xícara de café forte,um corpo gelado em cima de uma cama.

Normal demais


A mentira vira rotina e eu acabo me acostumando,
No primeiro encontro,já dizem eu te amo,
As palavras se tornam fúteis,
Os abraços nos momentos de tristeza são sempre inúteis.

Quando nada faz sentido,o pesadelo não é mais castigo,
Não vale a pena crer em nada,repito sempre comigo,
E quando ligar-te em busca de socorro,
Caso negue-me,não se preocupe comigo,este tolo,
É que a mesma cena,nunca fez um capítulo novo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Chuva,mãe.

     E quando chove, sair para trabalhar se torna um tormento,o trânsito lento,do frio só ouço lamento.Mas parei para pensar em quanto os vejo a reclamar - Maldita chuva,atrapalhou meu final de semana,minha praia,minha balada. Da janela perfeitamente da pra se vê a felicidade das plantas, o balanço,o auê. Enquanto emburrados estamos olhando dos vidros do ônibus,lá fora elas cantarolam,refrescando suas raízes,a raridade caindo das nuvens que choram.
   Chuva: você reclama, as plantas comemoram.